
O Alfa e o Ômega, primeira e última letras do alfabeto grego encontram na mitologia católica e ortodoxa a representação para o início e para o fim de tudo que existe. A terminologia aparece no Apocalipse 1:18 onde se lê: "Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus”.
O Alfa simbólico é a origem, o início e a razão de tudo, considera-se que sua extensão ao Ômega, encerrando neste último, contenha a chave do universo, a totalidade do conhecimento, do ser, do tempo e do espaço.
O uso destas e outras letras gregas são recorrentes na matemática, na física, na biologia. O Macho Alfa dentro de um grupo é aquele mais adaptado a proteger, prover alimento e segurança para fêmea, filhotes e para o grupo. Eficiente na caça, na disputa por espaços e na otimização de recursos, o Macho Alfa torna-se líder sendo selecionado pelas forças dialéticas das disputas naturais dentro de uma comunidade.
Será que esses fatores levaram César Matos Ferreira a escolher o codinome Alfa? O fato é que antes de ter consciência de sua capacidade de liderança de grupo, Alfa agia sozinho e atuava com o codinome Alfa, mas seu uniforme era branco. A mídia sempre questionará os motivos e a utilidade dos justiceiros e os vigilantes, seja na ficção seja no mundo real. Sua motivação, a escolha de um nome, uniforme e seu campo de atuação eram e são questões recorrentes mesmo que algumas respostas nunca venham à luz do público.
A cor branca de longa data guarda o significado da pureza, da perfeição, da honestidade de propósitos, da iluminação espiritual...da paz. Ao assumir um uniforme escuro e mudar o codinome para Alfa Negro, o líder do Comando V, dá um recado a seus inimigos. Ele continua presente, de cabeça erguida, não foi derrotado, ele voltou dos mares do esquecimento – aqui cabe explicar que após atuar como Alfa (branco), Cesar Matos passa um período desaparecido. E seu reaparecimento trás a cor negra como novidade. O que era branco e puro agora é o negro do enlutamento, alguma coisa dentro de seu espírito se modificou. Ele não é mais o herói-padrão, típico bom moço que faz a barba e ajuda velhinhas a atravessar ruas.
O negro remete ao estado primitivo do homem numa época de ausência de luz. A selvageria e a dedicação, os impulsos assassinos e ao mesmo tempo a bondade num conjunto de coexistência de opostos, a cor negra representa pois a tenção constante e não o mal incondicional e absoluto como vemos em algumas culturas. Ao passo que no ocidente evoca o negativo, o mal, o nada absoluto, no Egito e na áfrica do Norte o preto é a cor da fecundidade. O preto é contradição até porque o luto que aprisiona a tristeza, guarda respeito às almas que partiram. É a cor da sobriedade e da elegância e nos contos medievais a presença dos cavaleiros negros são sempre associadas à mudança social, e esses personagens sempre trazem consigo a aura do poder e do mistério.
Espero não ter revelado nada dos planos secretos guardados por trás das páginas do Comando V, mas eventualmente as entrelinhas guardam muito mais que meros espaços entre um pensamento e outro...o que guardaria então o espaço entre o alfa e o ômega?!